Redes neuronais (português europeu) ou redes neurais (português brasileiro) (mais propriamente, redes neuronais artificiais) são sistemas computacionais estruturados numa aproximação à computação baseada em ligações. Nós simples (ou neurões, neurônios, processadores ou unidades) são interligados para formar uma rede de nós – daí o termo rede neuronal. A inspiração original para essa técnica advém do exame das estruturas do cérebro, em particular do exame de neurônios.

diagrama-rede-neural

As primeiras informações sobre neurocomputação surgiram em 1943, em artigos do neurofisiologista Warren McCulloch, do Instituto Tecnológico de Massachusetts, e do matemático Walter Pitts, da Universidade de Illinois. Os autores fizeram uma analogia entre células nervosas vivas e o processo eletrônico, em um trabalho publicado sobre “neurônios formais”; simulando o comportamento do neurônio natural, no qual o neurônio possuía apenas uma saída, que era uma função da soma de valor de suas diversas entradas. O trabalho consistia num modelo de resistores variáveis e amplificadores, representando conexões sinápticas de um neurônio biológico.

As redes neurais artificiais são um método para solucionar problemas através da simulação do cérebro humano, inclusive em seu comportamento, ou seja, aprendendo, errando e fazendo descobertas. São técnicas computacionais que apresentam um modelo inspirado na estrutura neural de organismos inteligentes e que adquirem conhecimento através da experiência.

As redes neurais possuem nós ou unidades de processamento. Cada unidade possui ligações para outras unidades, nas quais recebem e enviam sinais. Cada unidade pode possuir memória local. Essas unidades são a simulação dos neurônios, recebendo e retransmitindo informações. Somam-se as entradas e se retorna uma saída, caso esta seja maior que o valor da soma.

Uma rede neural pode possuir uma ou múltiplas camadas. Exemplificando com três camadas, poderíamos ter a camada de entrada, em que as unidades recebem os padrões; a camada intermediária, onde é feito processamento e a extração de características; e a camada de saída, que conclui e apresenta o resultado final. Quanto maior o número de camadas, melhor a capacidade de aprendizado. A camada de entrada deve possuir uma unidade especial conhecida como bias, usada para aumentar os graus de liberdade, permitindo uma melhor adaptação, por parte da rede neural, ao conhecimento a ela fornecido.

Em termos mais técnicos, o número de camadas define a capacidade de representação das relações entre o espaço de entrada e o de saída. A inexistência da camada intermediária, característica do modelo perceptron, condiciona-o a representar bem somente relações linearmente independentes. A existência de camadas intermediárias, característica do modelo perceptron de múltipla camada (PMC), retira tal limitação. Se houver apenas uma camada intermediária, o PMC pode representar (com qualquer grau de aproximação, por menor que seja) qualquer função contínua. Duas ou mais camadas ampliam o universo de representação a qualquer função, contínua ou não.

As redes neurais artificiais, seguindo a tradição estadunidense, estão muito associadas à adaptação de conexões (sinapses) entre neurônios, o conexionismo. Cabe registrar, entretanto, a existência de modelos nos quais as conexões não são adaptadas, mas apenas transmitem estimulação entre neurônios. Tais modelos são chamados redes neurais sem pesos (do inglês, weightless neural networks). Para completar, há modelos em que as sinapses não são adaptadas, mas calculadas previamente, servindo a tarefas de otimização, geralmente.